Blair  - Soul Eater

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Correndo sem sair do lugar, chorando sem lágrimas, ferindo-me sem sequer me tocar. Ali sentada com um sorriso caloroso, cumprimento à todos com carinhosos acenos e felizes risadas. Meus olhos me denunciam, por isso os escondo, neles há o turbilhão de desolamento e escuridão que em mim reina, é neles que as pessoas percebem meu sutil senso mórbido... Mais um aperto de mão, uma frase engraçada, uma brincadeira infantil e o desespero da solidão. Todos ao meu redor, todos tão felizes, todos tão hipócritas, tão vazios e despreziveis. A luz do sol me cega e me sufoca, a escuridão não me acolhe. Filha de ninguém, amante do vazio, nem as sombras me protegem, a luz não me esquenta. Minha voz é uma teia que enfeitiça a todos e os faz acreditar num paraíso que nunca existiu, meus gestos são buracos de alegria enjaulada enquanto meus olhos retira-lhe a aura. Uma criatura, sou apenas mais uma criatura, sem caminha, sem fuga, sem destino e muito menos sem lugar. Sou um nada, que todos teimam em dizer que tem tudo. Sou tudo aquilo que os outros temem e ridicularizam chamando de nada.



Liah

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