Como explicar uma sensação insensível de um segundo de adeus?Senti como se andasse em gelo fino... Como se cada palavra sua me levasse, como um vento cortante e gélido.
Me vi escorregando pelo seu lago congelado, pedi que me segurasse... Assim como o vento você abafou minha voz, levo-a contigo e dispersou meu socorro em sussurros agourentos.
E num instante eu estava sozinha, com frio, com muito frio.
Sobre gelo fino. Gelo intrincado. Gelo rachado. O gelo, o seu gelo, era fino e se partiu.
Você partiu e meu mundo quente, que havia passado a ser gelo, agora era água gelada. Água me queimando e entorpecendo. O gelo ficara la em cima, aqui só havia escuridão.
Meu sol havia se partido, o calor se fora com ele. E eu estava só, com frio, sob gelo fino, dentro da água gélida. Me afogando e sem forças para voltar a superfície. Em um instante meus braços, minhas pernas, tudo em mim já não respondia a minha vontade.
Num segundo de sanidade inútil, tentei subir para dispersar novamente a palavra socorro, mas já não havia como. Acima de mim só restava gelo. Estava escuro, não havia mais como emergir, não havia mais nada para mim.
No último minuto de lucidez, vi você indo embora, acima de mim, no gelo. Então voltei a mim, sentindo sentindo o peito doer de frio e desespero. Vi você passando por aquela porta, vi você dizendo adeus.
E essa foi a única forma de explicar o que passou em mim. Explicar a sensação insensível e um segundo de adeus.
Liah
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